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Blog · Mercado e economia

Mercado imobiliário no último trimestre de 2026: o que observar

Com o ano chegando ao fim, vale juntar as peças do que os números de 2026 mostraram sobre construção e mercado imobiliário.

Atividade

A CBIC projeta alta de 1,2% no PIB da construção, após um primeiro trimestre forte e um segundo mais fraco. Os juros elevados por mais tempo seguram o ritmo.

Custos

O INCC-M acumula 6,40% em 12 meses até julho, e a mão de obra pesa mais que os materiais, segundo dados do Sinapi.

Crédito

O financiamento imobiliário cresceu 23% no primeiro semestre, com destaque para o SBPE. Apesar da Selic alta, o crédito continua sendo o motor das vendas.

Curitiba

Os compactos dominam os lançamentos, e a classe média perde espaço entre os produtos novos. Uma reportagem também menciona que o ano eleitoral tende a trazer cautela a parte dos compradores.

O que acompanhar até dezembro

  • As decisões de juros do Banco Central e o efeito sobre as taxas de financiamento.
  • O ritmo do INCC nos próximos boletins da FGV.
  • A evolução da reforma tributária e a escolha de regime pelas incorporadoras.
  • Novos lançamentos e a velocidade de vendas em Curitiba.

Decisões de compra dependem do seu momento financeiro e do seu objetivo. Use os dados como contexto, e não como previsão.

Um ano de contrastes

O mercado imobiliário brasileiro em 2026 combinou sinais positivos e freios. De um lado, o crédito imobiliário avançou com força no primeiro semestre, com R$ 180,9 bilhões concedidos e alta de 23% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Abecip. De outro, a construção civil cresceu pouco, com projeção da CBIC de 1,2% para o PIB do setor, e os custos de obra seguiram pressionados. Em Curitiba, os lançamentos se concentraram em unidades compactas, e a classe média perdeu espaço nos produtos novos.

Juros: o fator que mais pesa

A trajetória da taxa básica de juros influencia o financiamento, o custo das construtoras e a atratividade de outras aplicações. Ao longo de 2026, a Selic permaneceu em patamar elevado, com algum alívio ao longo do semestre, segundo as reportagens consultadas. A queda mais lenta do que o esperado foi um dos motivos da revisão da projeção da CBIC. No último trimestre do ano, o comportamento do Banco Central e das expectativas de inflação continuará a ser acompanhado de perto por compradores e incorporadores.

Custos de obra

O INCC-M acumulava 6,40% em 12 meses até julho, e o Sinapi mostrou que a mão de obra subiu quase o dobro dos materiais no período. Para quem comprou na planta, isso se traduz em parcelas corrigidas. Para as incorporadoras, em margens mais apertadas e maior cautela ao lançar novos projetos. A escassez de trabalhadores, especialmente no Paraná, deve continuar a exigir soluções como industrialização e treinamento.

Crédito e programas habitacionais

O Minha Casa, Minha Vida ganhou novas regras em abril de 2026, com a Faixa 4 voltada à classe média e teto de imóvel de até R$ 600 mil segundo os guias consultados. A mudança tende a manter aquecida a demanda por unidades de preço intermediário. Em paralelo, o SBPE teve o melhor desempenho do semestre, mas enfrenta pressão sobre a captação da poupança, o que levou a Abecip a defender fontes alternativas de recursos.

Reforma tributária

O ano de 2026 foi de teste da CBS e do IBS, com alíquotas simbólicas e a decisão sobre regimes para as incorporadoras. A CBIC avalia que 2027 será uma etapa decisiva. Para o comprador, a influência é indireta, mas vale observar se contratos e preços de lançamentos trazem cláusulas relacionadas a mudanças tributárias.

Eleições e comportamento do consumidor

Uma das reportagens consultadas menciona que o ano eleitoral tende a trazer maior cautela a parte dos compradores. É um padrão comum: a incerteza sobre o futuro econômico faz algumas famílias adiarem decisões de grande valor. Por outro lado, quem tem planejamento e reserva pode encontrar boas condições de negociação em períodos de menor ritmo de vendas. Não há como prever o efeito de cada evento, e esta é uma observação de contexto, não uma previsão.

O que acompanhar até dezembro

  • Decisões de juros e a evolução da inflação.
  • Boletins do INCC da FGV Ibre, para estimar o reajuste de parcelas.
  • Dados de crédito da Abecip, que mostram a força do financiamento.
  • Indicadores da Ademi-PR e do Secovi-PR sobre lançamentos e vendas em Curitiba.
  • Regulamentação da reforma tributária e escolhas das incorporadoras.
  • Dados de emprego e renda, que sustentam a demanda.

Perguntas para quem está pensando em comprar

  1. Meu orçamento comporta parcelas corrigidas em um cenário de custos altos?
  2. Tenho reserva de emergência além da entrada?
  3. Prefiro comprar na planta, com fluxo de pagamento na obra, ou um imóvel pronto?
  4. Quero morar ou investir, e o produto atende a esse objetivo?
  5. A construtora tem histórico e a obra tem cronograma realista?

Conclusão

O último trimestre de 2026 será definido por juros, custos e confiança. Para o comprador, a recomendação é a de sempre: decidir com base em planejamento e informação, e não em manchetes. Compare condições, entenda o contrato, simule cenários e consulte profissionais quando necessário. Os dados de 2026 mostram um mercado ativo, porém exigente, em que a escolha do produto e da empresa pesa tanto quanto o preço.