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Crédito imobiliário cresce 23% no primeiro semestre de 2026, mesmo com juros altos

Mesmo com a Selic alta, o financiamento imobiliário surpreendeu em 2026. Segundo a Abecip, a concessão de crédito imobiliário somou R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre, 23% acima do mesmo período de 2025. Mais de 680 mil imóveis foram financiados, somando SBPE, FGTS e recursos livres.

Destaque para o SBPE

As operações com recursos da poupança (SBPE), usadas tradicionalmente pela classe média, somaram R$ 93,7 bilhões em financiamentos de aquisição e construção, alta de 29% sobre o primeiro semestre de 2025.

Projeções

Em janeiro, a entidade projetava alta de 16% no ano, para R$ 375 bilhões, e disse que revisaria o número após o semestre forte. Um veículo reportou nova projeção de R$ 411 bilhões, mas não conseguimos confirmar o valor no comunicado da Abecip, então trate-o como dado de imprensa.

O que ainda pesa

  • A taxa de financiamento não acompanha a Selic na mesma proporção, e os bancos praticam um piso.
  • A captação da poupança sofre pressão, e a Abecip defende diversificar fontes, como as LCIs.

Dicas para quem vai financiar

  1. Compare taxa efetiva total (CET), e não só a taxa nominal.
  2. Prefira entrada maior para reduzir juros pagos.
  3. Simule mais de um banco e mais de um prazo.

As fontes do crédito imobiliário no Brasil

O financiamento habitacional no país tem três grandes origens de recursos. O SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo) usa uma parte dos depósitos em poupança e é destinado, principalmente, a imóveis de valor médio e alto, financiados em condições de mercado. O FGTS financia habitações populares e de renda média com juros mais baixos, inclusive no Minha Casa, Minha Vida. Há ainda os recursos livres, como os obtidos por Letras de Crédito Imobiliário (LCI), usados por bancos para diversificar a captação.

O crescimento do semestre em detalhes

De acordo com o balanço da Abecip noticiado em julho de 2026, a concessão de crédito imobiliário somou R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre, alta de 23% sobre o mesmo período do ano anterior, com mais de 680 mil imóveis financiados. Nas operações de aquisição e construção do SBPE, o volume foi de R$ 93,7 bilhões, 29% acima do primeiro semestre de 2025.

O resultado chama atenção porque ocorreu em um contexto de Selic elevada. Uma das reportagens consultadas cita a taxa básica em torno de 14,25% ao ano, depois de ter ficado em 15% em parte do semestre. A explicação para o crescimento passa por fatores como demanda reprimida, novas regras do Minha Casa, Minha Vida, maior número de lançamentos e a disposição de bancos em ofertar crédito.

Por que a taxa do financiamento não cai junto com a Selic

A taxa do financiamento imobiliário depende de vários fatores além da Selic: custo de captação de cada banco, prazos longos, risco de inadimplência e exigências regulatórias. Em períodos de pressão sobre a poupança, os bancos buscam fontes alternativas, que podem ser mais caras. Assim, mesmo quando a taxa básica cai, as taxas de financiamento tendem a cair em ritmo menor, o que foi lembrado pela Abecip.

Como avaliar uma proposta de financiamento

  • Custo Efetivo Total (CET). Inclui taxa de juros, seguros obrigatórios, tarifas e outros encargos. É o número certo para comparar.
  • Sistema de amortização. Tabela Price e SAC têm perfis diferentes. No SAC, a parcela inicial é maior e decresce; na Price, é fixa em termos nominais, mas o saldo cai mais devagar.
  • Prazo. Prazos longos reduzem a parcela, mas aumentam o total de juros pagos.
  • Indexador. Taxas pré-fixadas ou pós-fixadas (corrigidas pela TR ou outro índice) alteram o risco de variação da parcela.
  • Portabilidade. Você pode transferir o financiamento para outro banco que ofereça condições melhores.

Entrada e relação financiamento/valor

Quanto maior a entrada, menor o valor financiado e, em geral, melhores as condições. Os bancos limitam o percentual do valor do imóvel que financiam, o que exige poupança prévia ou uso do FGTS. Em compras na planta, é comum construir a entrada ao longo da obra, com parcelas mensais à construtora, e financiar o saldo na entrega.

Cuidado com o comprometimento da renda

Um critério comum de bancos é limitar a parcela a um percentual da renda familiar bruta. Mesmo que o banco aprove, é prudente manter uma margem para imprevistos e para outras despesas do imóvel, como condomínio, IPTU, seguro e manutenção. Simule diferentes valores de entrada e de prazo para encontrar um ponto confortável.

O que esperar

A Abecip indicou que revisaria para cima sua projeção de 2026 depois do forte primeiro semestre. Outras publicações mencionam estimativas maiores, mas não confirmamos esses números no comunicado da entidade. O cenário depende da trajetória dos juros, do emprego e da renda, e também do ambiente político e econômico em um ano eleitoral.

Conclusão

O crédito imobiliário mostrou força em 2026, mas isso não significa que financiar seja barato. Antes de assumir uma dívida de longo prazo, compare propostas pelo CET, planeje a entrada, preserve margem na renda e considere a portabilidade no futuro, caso as condições melhorem.

Fontes

Dados conferidos em outubro de 2026. Confirme valores e regras nas fontes oficiais antes de decidir.